Áudio para carro de som: o que muda na escrita
Carro de som tem uma condição de escuta que nenhum outro meio tem. O ouvinte não escolheu ouvir, está em outra atividade e passa pela mensagem por poucos segundos. Um texto de rádio simplesmente jogado no alto-falante não funciona.
A janela é de segundos
Quem está na calçada ouve o carro se aproximando, entende alguma coisa, e o carro se afasta. Na prática, você tem de cinco a dez segundos de compreensão real por pessoa. Isso muda três decisões de escrita.
- A informação principal vem primeiro e volta no fim. Quem pegou o começo não vai pegar o fim, e quem pegou o fim não pegou o começo. Repetir não é desperdício, é cobertura.
- Frases de cinco a oito palavras. Oração longa se perde no ruído da rua.
- Nada que exija anotação. Telefone, site com nome comprido e endereço com número e complemento não sobrevivem ao movimento.
O conteúdo se reduz ao essencial: o que é, quanto custa, onde fica, até quando.
Escreva em blocos que fecham sozinhos
Carro de som roda em repetição. Então o melhor formato não é um texto contínuo de 60 segundos, e sim blocos curtos, cada um completo em si.
Um modelo que funciona bem:
- Bloco 1, oferta principal. Sofá de três lugares por 899 reais. Móveis Aliança, na praça da matriz.
- Bloco 2, variação da oferta. Cama box casal por 699. Móveis Aliança, na praça da matriz.
- Bloco 3, prazo. Só até sábado. Móveis Aliança, na praça da matriz.
Repare que o endereço se repete em todos. Isso é proposital. Quem ouviu qualquer bloco isolado recebeu uma mensagem completa. E o bloco todo pode entrar em loop sem parecer quebrado.
Escreva os blocos com tamanhos parecidos, entre 90 e 130 caracteres cada. Fica mais fácil montar a sequência e trocar um item sem refazer tudo.
Locução e produção
Na rua, o que ganha clareza é articulação, não velocidade. Texto corrido some no ruído. Prefira uma locução firme, com pausas entre os blocos, e escreva a pontuação de acordo: ponto no fim de cada frase curta, sem encadeamento.
Sobre o tipo de entrega, a escolha costuma ser assim:
- Off. Serve quando o operador do carro já tem trilha e monta a sequência no próprio equipamento. Sai em segundos e sem fila.
- Spot com trilha do acervo. Boa opção quando você quer entregar o áudio pronto, com fundo, pelo mesmo preço do off.
- Produção completa. Vale quando o cliente quer efeito, vinheta de abertura e acabamento caprichado, com acréscimo de R$ 3,00 a cada 30 segundos.
Uma dica de som que quem trabalha com rua já sabe: trilha muito presente atrapalha. Na caixa do carro, a música compete com a voz e vence. Se for usar fundo, peça um fundo discreto e constante, sem variação de volume.
Erros que se repetem
- Texto de rádio reaproveitado sem corte. O que funciona em 30 segundos de rádio vira ruído na rua.
- Lista de dez produtos. Ninguém acompanha lista em movimento.
- Preço quebrado com centavos. Perde-se no ruído e não fixa.
- Nome de marca dito uma vez só. Em carro de som, a marca precisa aparecer em todo bloco.
- Áudio longo demais para o trajeto. Se o carro percorre a rua em 40 segundos, um áudio de 3 minutos garante que ninguém ouça a mensagem inteira.
Teste antes de mandar para a rua. Ouça o áudio com o celular no bolso, andando, com barulho em volta. Se você não consegue repetir a oferta e o endereço depois de uma passada, o texto ainda está grande.